Qualquer médico pode diagnosticar a síndrome de Tourette (ST), mas habitualmente os profissionais que diagnosticam e tratam a ST são neurologistas ou psiquiatras, no caso dos adultos, e neuropediatras ou pedopsiquiatras no caso de crianças. Habitualmente trabalham em coordenação com psicólogos cognitivo-comportamentais.
A Síndrome de Tourette (ST) é diagnosticada inicialmente pela presença de tiques motores e vocais que aparecem na infância e continuam por mais do que um ano. Estes tiques habitualmente incluem tiques vocais tais como fungar, tossir, dizer alguma palavra ou palavras; e tiques motores como piscar olhos, fazer caretas, ou outro tipo de movimento repetitivo que não responde a um estímulo físico percetível.
As pessoas com ST podem sentir “sensações premonitórias”, que os obrigam a realizar o movimento ou som. Para perceber como funciona, podemos imaginar que sentimos uma forte comichão (sensação premonitória) e que mesmo que conseguíssemos resistir um bocado, acabaríamos por ter de reagir (com um tique neste caso) a essa sensação. Os tiques são também mais frequentes sob stresse ou quando se esta cansado, por exemplo no fim do dia.
Cada tipo de tique individual pode aparecer e desaparecer periodicamente, mas a presença continuada de tiques motores e vocais por mais do que um ano é considerado o principal critério para o diagnóstico.
Uma vez realizado o diagnostico inicial, o consenso internacional é realizar uma série de testes e avaliações, incluindo:
- O teste standard para síndrome de Tourette (ST) da Yale Global Tic Severity Scale (YGTSS).
- Como cerca de 50% das pessoas com ST têm transtorno obsessivo-compulsivo (TOC, em inglês OCD), é importante avaliar todos os pacientes com ST para TOC. O teste standard é a Yale-Brown Obsessive Compulsive Scale (Y-BOCS) para adultos e a Children’s Yale-Brown Obsessive Compulsive Scale (CY-BOCS) para crianças.
- Como também cerca de 50% das pessoas com ST têm perturbação de hiperactividade com défice de atenção (PHDA, em inglês ADHD), é importante também avaliar todos os pacientes com ST para PHDA. Ao contrário de para ST e OCD, há um pouco mais variabilidade na literatura sobre os testes usados para PHDA, mas um dos mais standards é o Conners. No caso de crianças, tem formulários para pais, professores e para a própria criança (sendo este último o menos fidedigno).
- Além destes questionários específicos, também é conveniente fazer um screening a outras perturbações psiquiátricas. Também há escalas específicas para ansiedade, depressão, etc.
No entanto, uma boa hipótese é seguir o protocolo de avaliação recomendado pela American Psychiatric Association, que inclui escalas quantificadas. O protocolo utiliza um processo gradual no qual há questões mais gerais primeiro e, se essas questões indicam suspeita de uma ou mais perturbações específicas, segue-se para escalas que aprofundam mais essas possíveis perturbações.
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